Eleanor Roosevelt disse: “Você ganha força, coragem e confiança em toda experiência em que você encara o seu medo. Você deve fazer aquilo que pensa que não pode fazer.”
Assim percorri as estradas secundarias naquela noite gelada, será que o sol nunca mais vai aparecer na minha vida? Examinando o líquen nos troncos das arvores como se seus esporos amarelos pudessem me contar muitas coisas e olhando demoradamente para o céu cheguei a parar o carro o vento soprava forte naquela noite, e, sempre que eu parava o carro seu murmúrio chegava aos meus ouvidos então sai da floresta outra vez, e subi e desci pequenas colinas escarpadas e atoleiros e depressões circulares, cheguei a um poço que conhecia ao lado da estrada; parei e olhei para dentro dele com minha lanterna onde um musgo verde meu conhecido estaria brilhando, logo entrei no carro novamente a estrada de asfalto desapareceu , tinha de dirigir em segunda agora; os lados do carro eram arranhados por galhos e espinhos, mas a parte elevada no centro da trilha era muito alta e eu não me atrevia a seguir pelos sulcos, e então comecei a achar que talvez não conseguisse chegar do outro lado, sempre gostei de passear de carro pela paisagem sombria e tranqüila daquele lugar nas tardes de sol.
Comparada ao que me oferecia àquela região mesmo no inverno a cidadezinha ao lado parecia animada, no alto de uma daquelas pequenas colinas quando o vento era forte, como nesse dia, era possível ficar parado ao lado de um laguinho e ver a distancia a água do rio arremeter numa torrente de luz e espuma branca, enquanto o laguinho aos meus pés continuava cor de bronze, escuro e sujo, todas as cores das arvores pareciam acomodadas entre o rio e o laguinho, eu gostava do verde opaco da relva e do amarelo pálido das hastes do mato naquele cenário de fim de inverno , quando o vermelho - sangue e o alaranjado-escuro não estavam mais nas folhas tudo era cinza , verde e marrom, mas havia um maravilhoso jogo de tonalidades entre elas!Meus olhos viam uma dança de cores cinza claro, cinza lilás, entre o marrom da samambaia e o marrom dos carvalhos, o verde do pinheiro o azul no horizonte, o cheiro dos pinheiros e dos carvalhos pairavam na quietude enquanto o vento nas folhas trazia de volta o ruído do rio, e parecia dizer, “tudo o que viveu clama por viver novamente” parei o carro onde podia ver a lagoa e o rio e procurei a calma nas coisas familiares, mas meu coração batia violentamente. E então prossegui e só parei num desvio de estrada arenosa tentando recobrar a imaculada sensação de solidão que aquele lugar sempre me transmitia, mas não consegui.
Assim que entrei na minha trilha meio escondida pelos arbustos enquanto percorria os cem passos do carro ate a trilha, comecei a suar outra vez a chegada da febre nessa noite de setembro me ameaçava, um pouco de dor e muito medo, em breve eu não agüentaria mais caminhar, vi que não tinha muito tempo estava em pânico, portanto apressei-me na trilha, passei pela clareira entrei e sai da moita de arbustos e pinheiros anões e ali a poucos passos estava a arvore mais curiosa de todas um pinheiro anão erguia-se de um pequeno monte de areia rodeado pelo barro, uma arvore pequena forte e estranhamente deformada, com as raízes agarradas ao pequeno monte de areia os galhos contorcidos e inclinados para baixo pelo vento, mas que afinal erguia-se para o céu como braços em oração. Era a minha arvore e aos pés dela entre as raízes onde acabava a areia e recomeçava o solo da floresta havia uma pequena caverna onde não caberia nem um filhote de tamanduá, a porta que dava acesso a ela era uma rocha cujo musgo muitas vezes fora levantado e recolocado no lugar. Retirei a pedra e passei a Mao pela terra que cobria a caixa de metal ; meus dedos entre o barro macio como ratos procurando alimento , retirei a caixa e peguei meu caderno compreendi que não podia continuar enterrando coisas, corri para o carro e dirigi pela estrada cheia de altos e baixos a uma velocidade que compensava a cautela com que dirigi na ida . E só parei quando já estava em casa, afundado em uma poltrona tentando acalmar o tremor com um copo com mais açúcar que água e em seguida remédios para febre e dores foi que peguei o caderno e comecei a ler...
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When we were young in a world that was so tired
Though it's not what we wanted before
Even the saints had to crawl from the floor
Remy Zero)

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