domingo, 22 de setembro de 2013

“Faça o que você sente que está certo em seu coração - pois você será criticado de qualquer maneira. Você será condenado quer faça ou não.” 
―Eleanor Roosevelt

Apenas uma desobediência: vou atravessar a rua empurrar a grade do portão de ferro e entrar no jardim.
Ha um aspecto sinistro nas sombras que circundam a casa. vou mais para o fundo e sentar naquele banco de cimento , coberto de folhas secas ;a umidade própria as vezes dispensa meus cuidados .Ontem choveu , as trepadeiras que parecem querer estrangular a casa , a força vegetal se arrasta e estimula a terra , suas raízes cresce e liberta , a vontade sob o comando da natureza.Venho sempre aqui pensar escrever , é melhor sonhar e trazer aos olhos a expressão dos dias de sol , porque os dias de chuva as tristes tardes de frio são comuns em minha alma .Fora daqui não sou mais do que um marionete  rigorosamente  manobrado, dirigido no circulo humano pelo medo, e , então eu penso em Adão e Eva e considero que eles geraram mais serpentes do que gente.As  flores parecem agitar-se quando eu chego como se pretendessem fazer-me  um cumprimento, as flores tem para mim algo especial algo de humano  , um fluido! Esta arvore velha retorcida na sua fraqueza de velhice, parece uma figura paralisada numa cena triste, os trevos na grama que cresceu descuidada fazem sombras para as formiguinhas, de vez em quando descubro alguma coisa, como a estatua de bronze de uma mulher, toda suja de terra e mato, muitas folhas, limpei-a ela esta livre das plantas que magnífico artista a esculpiu! É bela, de uma perfeição fascinante. o que diriam as pessoas que me conhecem (ou julgam me conhecer )se me vissem a falar com uma estatua do jardim num monologo absurdo !Diriam que estou louco e providenciariam algo para minha perturbação.
Agora entendo bem uma historia que li sobre um homem e seu tresloucado amor por uma pedra.
Revolto-me com alguns humanos por sua falta de sensibilidade, às vezes acho que não sou gente sou alma, eu amo essa casa vazia e sua solidão que é igual a minha: a vegetação com flores e espinhos, secas e viçosas, suaves e simples engolindo-a nas sombras, tal como os conflitos que estrangulam o cérebro, amo a estatua de bronze com seu rosto lindo a ela dediquei lindos pensamentos, dei a ela um nome Batizei-a de acordo com a impressão que me causa: Polinifaga: A que se alimenta de polem. Assim sou eu que busco nos sonhos alimento para resistir a vida , aprofundando-me dia a dia na convicção de que dependo de mim , da minha força , do meu poder para  não ser como um animal adestrado, e prossigo firme , porque é certo e exato perfeitamente correto que o EU é a única coisa real que conta no mundo . O EU é um universo. Desse universo exclusivamente dependem meus sonhos !O resto é fantasia, é dia a dia, como as perguntas que se faz um ao outro, como vai? Como esta?   Tudo bem? SIM. Tudo bem a pressão normal, nenhuma dor de cabeça, nenhuma febre, o coração é que não esta de acordo, não na carne, no espírito. Ninguém  calcula , nem pode adivinhar ,a febre com que vivo todos os momentos .Eu vivo tanto e com tamanha intensidade que chego a acreditar que a força do meu desejo é tão poderosa que é capaz de vencer a morte , que é capaz de atravessar a distancia e o espaço , para colidir , numa majestosa incidência , com o objeto das minhas vontades. Mas o ser indistinguível que eu espero tarda, por minha culpa.
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(Guardian

Alanis Morissette)

Você, em meio ao caos fingindo ser são

Você que tem impulsionado para além do que é humano

segunda-feira, 4 de março de 2013

Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma historia.
Andando sem direção , me ocorreu que nunca em minha vida havia entrado em um para beber como a maioria dos homens, talvez por falta de oportunidade ou por não gostar de lugares barulhentos, nada contra as bebidas, já experimentei algumas em minha vida, e  sinceramente não gostei.
E quando entrei carregado de noites insones provocadas pelos fantasmas, senti que todos notavam minha presença. Era como se eu fosse uma gota de tinta vermelha numa piscina. Eu era tão bem-vindo como uma tora de madeira sombria em um fogo lento e sem chamas.
Ao mesmo tempo, cada bar, como cada terra como pude observar quando viajava tem algo de semelhante em seus hábitos o galho de lenha que enche de fumaça uma lareira queima alegremente em outra, e a mistura de minha depressão, minha grande reserva de adrenalina provocada pela perseguição na estrada, mais a companhia de fantasmas maníacos e ansiosos que sem duvida eu trazia nos olhos, logo animou o bar homens bêbados se se levantaram de suas mesas e aproximaram-se dos outros e tudo que estava quase em silencio começou a se animar. E, eu  que mais que qualquer outro naquele momento devia estar trancado com o meu horror , ganhei todo o credito por aquela vivacidade, embora não tenha feito mais que acenar com a cabeça para um ou outro em meu caminho e escolher um canto isolado do bar .
Até um rosto conhecido se aproximar e me puxar ate quase provocar uma torção no meu pescoço. ---Ei -disse ele estive falando com seu pai.  Perguntei (Escrevi )Hoje?Ele demorou um pouco a me responder minha garganta seca tive muita dificuldade para refazer a pergunta e desisti, e quando consegui ele estava no meio de um gole de cerveja alem disso, sua mente também já tinha se desligado isso acontecia com freqüência com ele começava uma conversa e o cérebro do meu interlocutor cheio de cerveja saia pela tangente. Quando? Hoje? Não alguns dias atrás. Quando? Ele sacudiu a mão, alguns dias atrás, era o mesmo que dizer “algumas semanas”. eu já notei que o pessoal usava intervalos constantes para medir o tempo uma coisa podia ter acontecido há duas semanas ou a duas noites ,mas , se a pessoa estivesse habituada a dizer “há cinco dias “era assim que ia se lembrar do fato.
Portanto não insisti ele me deu um abraço e chorou lamentando minha condição de silencio, ate que quem eu esperava chegou e ele saiu , mas voltou deu um beijo no rosto dela e eu perguntei se ainda estavam brigando muito?Acho que ele te ama, quem sabe?Os olhos dela cintilaram ele é louco. Bem , todos somos eu respondi , e ate ela ler levou uns minutos pra me dar tempo de olhar para aquele rosto tão amável e familiar , e ela perguntou : Não acha que nós dois somos doidos  especiais?Nunca transamos um com o outro, fiz questão de rir e abracei-a pela cintura seus olhos pálidos fixaram-se nos meus com um brilho distante e elétrico. voce esta horrível e ao mesmo tempo inacreditavelmente sexy e riu como se eu fosse uma fonte de humor original, os piores caras estão repletos de intensidade apaixonante lembra?disse ela, e não sei se era devido a visão constante que eu estava tendo que a qualquer momento eu ia dar adeus a vida mas o fato era que tudo o que eu ouvia parecia ter ligação com a minha situação , mas esse pensamento  parecia gritar em cada pedido de cerveja  , ela notou que meus olhos se desviavam dela minha mente também era capaz de sair pela tangente , seu pai esta na cidade entrou e saiu do banco há poucos momentos, queria perguntar :falou com ele? Mas escrever esta ficando desgastante definitivamente bares não são meus lugares preferidos eu precisava dar um longo passeio, muita coisa na minha cabeça precisava ser posta em ordem, dei um longo abraço e ela sorriu como quem sabia que só seria isso mesmo, que não iria por a perder anos de amizade por sexo, na verdade eu não poderia apesar de toda necessidade acumulada de toda carência e tudo o mais, eu amo alguém e não sinto nada  e não vejo nada alem daquele sorriso grande e olhos brilhantes cheios de faíscas de certa tristeza a mulher mais linda e perfeita que já vi ,céus eu realmente sou louco amo aquela mulher e, no entanto deixei-ela sair da minha vida.
Estava garoando e caminhei pela rua com as mãos nos bolsos e a cabeça tão coberta  pelo capuz da jaqueta que só percebi estar sendo seguido por um carro quando os faróis ao meu lado não puderam  mais ser ignorados  , Meu Tio , ele abriu a porta e disse entre  não tive como recusar ,não tínhamos percorrido quinze metros quando ele começou a falar e apontou uma folha de papel sobre o banco e uma caneta ,na avenida a 20 por hora , comecei a tremer visivelmente, precisa de alguma coisa voce esta bem? Perguntou-me com calma , esta tudo bem respondi,quer parar o carro? Para mim esta bem, estávamos no fim da avenida mas com aquela garoa eu não podia enxergar nada o pânico tinha diminuído , saia ele disse- a idéia de percorrer a pé dois quilômetros ate meu carro tendo por companhia apenas aquele encontro malogrado me animou a arriscar , Ei companheiro tire o pé do meu calcanhar eu podia matar voce agora mesmo , já me matou muitas vezes qual a diferença? Fiquei satisfeito por ter recuperado um som parecido com minha voz, não importa sob que auspícios, ficar mudo é um choque do qual agente custa muito a sair.

_------------------“Uns vão, uns tão, uns são, uns dão, uns não, uns hão de. Uns pés, uns mãos, uns cabeça, uns só coração.” 
―Caetano Veloso
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

William Shakespeare escreveu: “Ame a todos. Confie em poucos. Não faça mal a ninguém.”

Se eu fosse descrever como estou estes dias, (e sinto que estou pior depois que os médicos pediram para parar de tomar remédios para dormir) seria mais ou menos assim: ele disse pare um pouco se não quiser cair morto. Parei .Agora, quando vou dormir  fantasmas saem da parede e fazem um circulo ao redor da  minha cama, e me fazem dançar a noite toda , tossindo, uma tosse repleta de todas as cavernas do meu pulmão , as vezes ensaio uma tentativa de riso ,não tenho mais joelhos para dançar eu lhes digo.”Ei, voce , seu fraco” dizem os fantasmas “continue dançando” algumas doenças adquiridas me fez menos intolerante . Agente envelhece e começa a achar que alguma coisa esta errada, agente esta num caixão e as paredes se fecham cada vez mais, então agente faz coisas que não fazia antes. Desde que estive no hospital naquela madrugada a longos anos é um bocado de tempo para ter câncer, mas isso não é o pior eu tenho câncer na alma desde que nasci. Às vezes penso que nenhum medico conhece bem o assunto, na minha opinião, é um circuito de doença com dois interruptores.
Duas coisas terríveis precisam acontecer antes que a podridão comece. A primeira arma o gatilho. A segunda da o tiro. Eu andei por ai com o gatilho armado durante seis anos. Porque não me refiz de todos os golpes que recebi?Porque perdi a coragem.
Muitas vezes eu parei, e a ultima vez que eu parei eu senti o sangue nos sapatos eu devia ter continuado a perseguir os que me machucaram, mas perdi a coragem, toda minha raiva não foi o bastante eu tinha força para isso. O teste foi feito quando parei, não tive coragem, porque eu podia. Alguma coisa no plano das coisas poderia fazer com que eles tropeçassem . Eu não quis forçar minha sorte. Parei,Então , ouvi uma voz muito clara dentro de minha cabeça , foi a primeira vez que Deus falou comigo . Disse: ”Você esta sem combustível, cara. É seu verdadeiro teste faça-o agora”. Mas eu entrei num hospital agarrei o atendente pelo colarinho e, no momento em que descarreguei minha fúria naquele infeliz vestido de branco senti que o primeiro interruptor do câncer tinha sido ligado. O que ligou o segundo?
Nunca foi ligado, enferrujou. Efeitos cumulativos . 36 anos vivendo sem respeito próprio.  
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Ele tem seus sonhos, eles o farão superar tudo
até que sua vida signifique (Dido Coming Home)


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Joguei sobre você tantos medos, tanta coisa travada, tanto medo de rejeição, tanta dor. Difícil explicar.( Caio)
Sentado ao lado do caderno com um pânico tão palpável quanto minha dor física, minhas narinas estavam mais frias que meus pés e os pulmões em fogo, comecei a tarefa semelhante a um trabalho pesado de me recompor, muitas vezes depois de apanhar quando criança eu ia para meu quarto no andar superior onde podia ver o mar e eu tentava escrever e todas as manhas eu aprendia a separar e era como catar corpos estranhos da sopa todos os destroços da minha vida que não deviam ser descritos naquele dia, eu me sentia triste, ate hoje quando relembro aqueles momentos sinto tristeza em todo meu corpo, eu tinha hábitos de concentração apesar de ser um cabeça de vento, hábitos adquiridos nas surras no meio do desespero e por mais perturbado que estivesse conseguia manter a mente na direção escolhida, mesmo que o mar estivesse incontrolavelmente revolto ,eis um principio que eu venho seguindo há muito tempo a memória é muito parecida com a potencia, tentar tirar da mente o que não é possível tirar ou tentar lembrar-se de algo não importa a urgência é o mesmo que provocar conscientemente uma ereção quando a mulher esta a nossa frente, mas ele esse perverso covarde recusa-se resoluta e obstinadamente a se animar a única coisa a fazer é desistir.
Pegar o caderno e terminar (tem coisas que não me lembro sem ler) tem coisas que nunca me esqueço, eu precisava erguer um muro em volta do meu pânico, e cada lembrança do meu amor ou do meu pai é uma boa pedra colocada num lugar certo assim senti os primeiros princípios da paz que vem da contemplação do amor. as vezes fico meditando no quanto o que me fizeram custou a meu pai minha mãe e a mim, outro dia ele me disse: filho com todo esse corpo e altura nunca achamos que temos o bastante de voce , uma boa parte minha  pai perdera-se antes do senhor me conhecer , e muito antes de eu mesmo conhecer o amor.  
-----Remy zero-------------------------------------
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Olhe para o sol e veja
Sua alma está morrendo
Costumava ter fé
Mas agora você está cansado de tentar
Deveria ter partido só
O que você roubou de todo o mundo
Como você está se sentindo?
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Não há refúgio da memória e do remorso nesse mundo. Os espíritos de nossos feitos tolos nos assombram, com ou sem remorso. - Gilbert Parker

E as lembranças voltaram vivas e mais fortes, não sabia se devia ter medo de mim ou deles, nem tampouco que quando tentasse dormir, seria assaltado por um terror inimaginável e desmedido.
Fixa em minha memória como o clarão que acompanha o trovão ou como a dor de quando se desloca um joelho estava à visão de tudo o que me fizeram, eu sentia-me transformado em gelatina eu não podia encontrá-los novamente preferia me derreter nas ultimas supurações da covardia, esta claro que não quero descrever a noite que passei lendo o caderno nem explicar porque cada passo lógico ao passado me custou tanto. Depois a coragem voltou num pesar total e implacável, pesar crêio, e um sentimento cruel de vingança. Respondi a ele que ia rezar para não ser corajoso, (desista disso ou faremos a nossa maneira) a maneira deles eu já conhecia, e se isso fosse verdade eu estaria em segurança em minha casa? Será que todos se sentem apreensivos com uma ameaça?Cada vento que batia na janela era um invasor: eu ouvia janelas sendo abertas e portas sendo forçadas. Era degradante nunca me considerei um herói meu avo com a melhor intenção do mundo - se encarregou disso ,mas de certo modo me via não de todo desprovido de masculinidade , era capaz de defender um amigo ;sabia como fechar uma ferida e guardar a infecção só pra mim .
Tentava me controlar contudo, sempre que minha mente ficava suficientemente clara para formar um novo pensamento , o pânico me invadia , sentia-me como um cachorrinho novo numa casa estranha .eu era como um homem escorregando por uma rampa de gelo , encontrava um pináculo onde se agarrar mas,que, assim que o abraça vê a saliência protetora se soltar , percebia que se não agisse primeiro não poderia interromper a queda e a morte estaria a minha espera ao fim da descida .
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Sonhos infinitos
Ao redor dos meus ombros
Eu não posso livrar este coração inquieto.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

será que o sol nunca mais vai aparecer na minha vida?

Eleanor Roosevelt disse: “Você ganha força, coragem e confiança em toda experiência em que você encara o seu medo. Você deve fazer aquilo que pensa que não pode fazer.”
Tudo o que posso dizer é que quando afinal pude continuar a viagem, o fiz com cautela absurda de um mau motorista logo depois de quase colidir. Eu me arrastava .
Assim percorri as estradas secundarias naquela noite gelada, será que o sol nunca mais vai aparecer na minha vida? Examinando o líquen nos troncos das arvores como se seus esporos amarelos pudessem me contar muitas coisas e olhando demoradamente para o céu cheguei a parar o carro o vento soprava forte naquela noite, e, sempre que eu parava o carro seu murmúrio chegava aos meus ouvidos então sai da floresta outra vez, e subi e desci pequenas colinas escarpadas e atoleiros e depressões circulares, cheguei a um poço que conhecia ao lado da estrada; parei e olhei para dentro dele com minha lanterna onde um musgo verde meu conhecido estaria brilhando, logo entrei no carro novamente a estrada de asfalto desapareceu , tinha de dirigir em segunda agora; os lados do carro eram arranhados por galhos e espinhos, mas a parte elevada no centro da trilha era muito alta e eu não me atrevia a seguir pelos sulcos, e então comecei a achar que talvez não conseguisse chegar do outro lado, sempre gostei de passear de carro pela paisagem sombria e tranqüila daquele lugar nas tardes de sol.
 Comparada ao que me oferecia àquela região mesmo no inverno a cidadezinha ao lado parecia animada, no alto de uma daquelas pequenas colinas quando o vento era forte, como nesse dia, era possível ficar parado ao lado de um laguinho e ver a distancia a água do rio arremeter numa torrente de luz e espuma branca, enquanto o laguinho aos meus pés continuava cor de bronze, escuro e sujo, todas as cores das arvores pareciam acomodadas entre o rio e o laguinho, eu gostava do verde opaco da relva e do amarelo pálido das hastes do mato naquele cenário de fim de inverno , quando o vermelho - sangue e o alaranjado-escuro não estavam mais nas folhas tudo era cinza , verde e marrom, mas havia um maravilhoso jogo de tonalidades entre elas!Meus olhos viam uma dança de cores cinza claro, cinza lilás, entre o marrom da samambaia e o marrom dos carvalhos, o verde do pinheiro o azul no horizonte, o cheiro dos pinheiros e dos carvalhos pairavam na quietude enquanto o vento nas folhas trazia de volta o ruído do rio, e parecia dizer, “tudo o que viveu clama por viver novamente” parei o carro onde podia ver a lagoa e o rio e procurei a calma nas coisas familiares, mas meu coração batia violentamente. E então prossegui e só parei num desvio de estrada arenosa tentando recobrar a imaculada sensação de solidão que aquele lugar sempre me transmitia, mas não consegui.
Assim que entrei na minha trilha meio escondida pelos arbustos enquanto percorria os cem passos do carro ate a trilha, comecei a suar outra vez a chegada da febre nessa noite de setembro me ameaçava, um pouco de dor e muito medo, em breve eu não agüentaria mais caminhar, vi que não tinha muito tempo estava em pânico, portanto apressei-me na trilha, passei pela clareira entrei e sai da moita de arbustos e pinheiros anões e ali a poucos passos estava a arvore mais curiosa de todas um pinheiro anão erguia-se de um pequeno monte de areia rodeado pelo barro, uma arvore pequena forte e estranhamente deformada, com as raízes agarradas ao pequeno monte de areia os galhos contorcidos e inclinados para baixo pelo vento, mas que afinal erguia-se para o céu como braços em oração. Era a minha arvore e aos pés dela entre as raízes onde acabava a areia e recomeçava o solo da floresta havia uma pequena caverna onde não caberia nem um filhote de tamanduá, a porta que dava acesso a ela era uma rocha cujo musgo muitas vezes fora levantado e recolocado no lugar. Retirei a pedra e passei a Mao pela terra que cobria a caixa de metal ; meus dedos entre o barro macio como ratos procurando alimento , retirei a caixa e peguei meu caderno compreendi que não podia continuar enterrando coisas, corri para o carro e dirigi pela estrada cheia de altos e baixos a uma velocidade que compensava a cautela com que dirigi na ida . E só parei quando já estava em casa, afundado em uma poltrona tentando acalmar o tremor com um copo com mais açúcar que água e em seguida remédios para febre e dores foi que peguei o caderno e comecei a ler...
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When we were young in a world that was so tired
Though it's not what we wanted before
Even the saints had to crawl from the floor
Remy Zero)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sei de fato que mal pretendo fazer, mas mais forte que minhas reflexões posteriores é minha fúria, fúria que traz sobre os mortais, o maior dos males.Eurípedes
Encontre o fetiche e encontrará o demônio.

Mais uma discussão sem fins lucrativos para mim, para as minhas muitas perguntas sem respostas, apenas ganhei poderes vendo-os tão amedrontados já conseguia olhá-los de frente quase que olho no olho e isso era uma grande vitoria na grande batalha contra os monstros, voltaremos no final de semana pra por um fim nisso pense bem no que vai fazer disse o monstro rei, e logo que eles saíram dos arredores da casa ignorei todas as dores entrei no carro e fui para a estrada, não estava certo do que ia fazer não me agradava à idéia de deixar eles impunes não depois de conseguir olhá-los nos olhos e ver a maldade com sua real intensidade, por outro lado sabia que podia ser surpreendido por eles, o monstro decididamente adivinhava meus hábitos! Então pensei em voltar para casa, pensei na minha colheita a 200 metros da casa fui até La e entrei com o carro numa trilha quase coberta pelo mato (mas que eu conhecia tão bem) que ia de uma estrada de terra ate à floresta a estrada tinha só uma pista, sim em todos os possíveis esconderijos há tempos atrás eu pegava uma lanterna meu cachorro e sumia e nas fugas eu plantava frutas acampava era um lugar onde no verão eu costumava desarmar armadilhas soltar pássaros muitos passava por ali, mas era meu esconderijo, qualquer caçador que passava pela trilha e passavam algumas vezes durante o ano) reconheceria que tipo de louco andava fazendo aquilo faria um reconhecimento da vizinhança e saberia, mas o lugar era importante para mim um dia tudo ali seria meu e ninguém mais entraria prenderia pássaros ou mataria pequenos animais, logo percebi o quanto fui imprudente com meu joelho já estava escuro e me apavorei ao sentir uma dor aguda era quase a mesma sensação de medo com a qual eu tinha me levantado da cama essa manhã , na verdade por enquanto eu precisava que tudo ficasse como estava , apesar disso sai da estrada principal e entrei numa estrada secundaria , se estivesse andando seria rápido mas de carro não poderia mais entrar na mata , depois de um ou dois cruzamentos me levaria ao caminho arenoso no meio da floresta , dirigindo lentamente meditando sobre mim mesmo;comecei  a compreender que teria   de apelar a uma grande dose de equilíbrio para atravessar mais um dia .
Considerando todos os fatos!Nos diálogos dos monstros fui obrigado a parar o carro, como vou fazer? Era como se tivesse pensado nisso pela primeira vez, sem aviso prévio eu estava a ponto de passar mal.
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Não digo mais "eu te amo"
As palavras estão me deixando
Não digo mais "eu te amo"
As mudanças estão acontecendo além das palavras

No More "I Love You's"Annie Lennox