domingo, 23 de setembro de 2012

solidão

“Somos uma sociedade de pessoas com notória infelicidade: solidão, ansiedade, depressão, destruição, dependência; pessoas que ficam felizes quando matam o tempo que foi tão difícil conquistar.”


―Erich Fromm

Parece que quando se perde a esperança se perde também a dor é como se a dor não tivesse objetivo, construída sobre o passado.
Já em casa depois de 20 dias, a esperança esta inteira, a dor implantada na esperança às vezes me espanto por não ter morrido: uma lamina gelada, profundamente enterrada na carne viva, de noite, de dia, e mesmo assim sobrevivemos.
Quando a solidão batia eu sempre procurava Silvia , não posso dizer que era uma amiga , não chegava a ser nada tão restrita era nossa amizade , era apenas uma alma bondosa que me acolhia . Naquele dia , quando entrei a sala de espera estava escura e as cortinas baixadas , tinha outros homens e mulheres sentados , devia ser domingo o que mostra o quanto eu estava desligado de tudo o que me rodeava , nem sabia ao certo porque chegara ali , em outro domingo de setembro teria feito muitas outras coisas  mas este ano eu estava num marasmo , ela me recebeu com total surpresa , como sempre pois confesso não importa o quanto as conversas longas me desgastassem nem o fato de me desagradar ver tv durante muitas horas , que me esgotava tanto quanto uma corrida a longa distancia --ainda assim , não havia lugar melhor para ver televisão que a pequena sala de Silvia , era como se eu estivesse numa caverna , no limite extremo da futura civilização com os novos seres cerebrados das cavernas , antecipando o milenio que estava por vir .Se eu passava as tardes de domingo  na paz extremamente deprimente que é desperdiçar o tempo, as estaçoes podiam passar uma após a outra , e , eu continuava sentindo uma infelicidade profunda . No começo da hibernação , e se esse não fosse um ano diferente para mim,eu teria tido um pouco de alegria ( uma alegria forçada) em levar seis garrafas de refrigerante para a caverna e teria  me afundado sem qualquer preocupação num de seus dois sofás e descansado no tapete para me confundir com todas as cores da sala , das paredes , do carpete e dos moveis , desbotados e escurecidos , manchados e transformados na ubiguidade descolorida .nem cinza nem violeta-claro, nem verde desbotadonem marrom-desfalecido ,mas a mistura de tudo isso.
Quem se importa com cores? a tela da televisão era meu ponto de luz, e nós olhavamos para ela com um resmungo ocasional, ninguem pode imaginar o quanto isso me foi relaxante naquela tarde para quem viveu aqueles dias como eu tinha vivido, era um alivio honesto poder sentar e ver televisão com ela , ela que eu nao suportaria em outra ocasiao qualquer ,mas nesse domingo era companhia :minha mente nao passava de uma lista com muitos nomes e nenhum sentimento,reconheci a mostruosidade da minha nova preocupação .Todos apareciam como itens numa lista de computador .sera que eu estava virando maquina? ficava tirando e pondo na lista os nomes eu me sentia um computador tremendo nas bases .O que estava me acontecendo depois daquela madrugada de março  era assustador , meus sentimentos fugiam eu proprio nao sabia como lidar com isso, e com as pessoas entao? por isso era mais facil lidar com Silvia , e só havia um jeito e era nao ter cerimonia,se ela podia me ajudar porque nao perguntar e contar o que se passava comigo, seria uma pergunta rapida .Portanto disse: eu vou morrer e equanto tempo resta?
todos vamos! esqueça-se disso por enquanto ela respondeu . como se eu pudesse esquecer , pediu que eu tivesse o bom senso de nao me desgastar antes da hora,e foi entao naquela sala que tive a certeza de sentir algo novo e incompreensivel fosse o que fosse ainda estava presente no ar a minha volta , nao, jamais me senti tao só em toda minha vida , o medo me acompanhava , no dia seguinte eu estava tao apatico como se meu figado tivesse sido atirado contra um muro de cimento; na verdade estava tao deprimido, de volta ao meu quarto eu tentava reavivar as lembranças de meses atras .
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Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas,
Amiúde…

(Elba)

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